Saúde Mental
A ansiedade e a depressão no terceiro milênio
Por Joana Abrahão | Criado em: 12/03/2025
Recentemente, em 2022, me deparei com os seguintes dados publicados por um estudo: “Especialistas da USP apontam que o Brasil está entre os países que mais apresentam pessoas ansiosas (63%) e depressivas (59%). A Irlanda ocupa a segunda colocação com 61% da população apresentando ansiedade e 57% depressão.”
Esse quadro se agravou ainda mais entre 2020 e 2021 devido à pandemia de Corona vírus. Em muitos períodos, o afastamento social devido à quarentena e lockdown privou a população do convívio social e do trabalho.
O estudo da Universidade foi realizado em 11 países. Confinadas em casa, as pessoas que ficaram desempregadas foram as mais afetadas, apresentando sintomas de depressão e de ansiedade.
No mundo, a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades. Juntas, depressão e ansiedade custam US$ 1 trilhão para a economia mundial, de acordo com levantamento da OMS.
Depressão é a causa número um de incapacidade, podendo levar ao suicídio. Todos os anos, mais de 800 mil pessoas com idades entre 15 e 29 anos, se matam. A doença afeta mais mulheres do que homens e pode gerar sérios problemas de saúde física.”
Vocês imaginariam que em pleno século 21 poderíamos estar vivendo essa epidemia de ansiedade e depressão? Não era para ser o contrário? A “modernidade” não seria para trazer felicidade e bem-estar ao homem moderno? E a tendência é que este quadro se agrave ainda mais nas gerações mais jovens. Essa geração é a primeira na civilização atual em que os filhos são mais dependentes, mais incapazes que os pais. Uma geração que foi a mais bem alimentada do mundo, segundo a FAO, uma geração que teve disponível uma série de facilidades, recursos de terapias e diagnósticos que as outras não tiveram, parece ser também a mais perdida emocionalmente. O uso de drogas e substâncias psicoativas não para de crescer e está corroendo cérebros, minando a capacidade produtiva das pessoas. A dependência de eletrônicos está devastando essas gerações mais jovens.
Era essa a “modernidade” que queríamos quando comemoramos na virada do século 21 a chagada do terceiro milênio?
Um mundo cheio de novas tecnologias, com foguetes ultramodernos, mas com pessoas com o emocional destruído por dentro. É tudo “´pra ontem”, as coisas têm que acontecer num click, não se tem mais paciência de esperar nada. A Lua? Ficou perto, queremos ir pra Marte. O homem olha para todos os lugares, menos para onde tem que olhar, que é para dentro de si mesmo. O homem moderno quer estar em todos os lugares menos no aqui e agora. Já diziam filósofos orientais que a única coisa que existe é o presente, pois o passado já passou e o futuro ainda não chegou. Não há mais diálogo e as pessoas não têm mais paciência de conversarem. É tudo digital.
E quem tem depressão é porque vive no passado, ressentindo emoções até de forma inconsciente. Já quem tem ansiedade vive no futuro, alimentando vários pensamentos catastróficos que ainda nem aconteceram. Querem olhar para tudo menos para o presente. O aqui e agora é o único momento em que você pode fazer algo realmente.
A modernidade nos trouxe equipamentos e conforto (para alguns) mas em compensação nunca se viu tanta inveja, vingança, raiva, falta de amor para com o próximo, traições, desrespeito, etc. Os relacionamentos estão fluidos e ninguém consegue mais confiar em ninguém.
Já que não podemos mudar o mundo, vamos começar a mudança por nós mesmos?
Praticar atividades físicas, ter um hobby, educar a própria mente a não alimentar pensamentos de cunho negativo. Se for necessário, procure um terapeuta para lhe ajudar, mas esse tipo de pensamento só prejudica você mesmo. Ter raiva ou rancor é o mesmo que tomar um copo de veneno todos os dias. E aí a saúde física e mental vai minando.
Vamos aprender a observar nós mesmos? Se estiver ansioso, respire no diafragma. É uma ótima técnica. Com a coluna ereta, comece a prestar atenção à respiração. Depois, usando o abdome, inspire como se fosse cheirar uma flor. Depois expire como se soprasse uma vela. Faça isso por alguns minutos. Cinco minutinhos do seu dia já vão fazer muita diferença!
Cuide-se! Sua saúde agradece!
Joana Abrahão
Médica Psiquiatra GCM